Educadores municipais e pais de alunos autistas encerram oficina de comunicação facilitada

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Projeto piloto prevê multiplicação da tecnologia de ponta através de multiplicadores. Foto: Luciano Ferreira/PCR

A Secretaria de Educação da Prefeitura do Recife e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encerraram, na manhã desta terça-feira (20), na sede do Instituto Aggeu Magalhães, no campus da UFPE, a Oficina Introdutória de Comunicação Facilitada voltada para alunos autistas. Realizado em três etapas, o curso foi coordenado pelo professor da Fiocruz, Carlos Lucena, e teve como público-alvo professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), estagiários e agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEE), além de pais de estudantes autistas matriculados na rede municipal de ensino.

 

De acordo com a chefe da Divisão de Educação Especial, Shirley Moura, a oficina finalizou a etapa inicial do projeto Estratégias de Comunicação Alternativa e Suplementar para alunos autistas da Rede Municipal de Ensino do Recife. “O projeto começou no ano passado com a realização de um curso de formação para 20 profissionais do AEE, que se tornarão multiplicadores para os outros professores da rede”, ressalta. Nessa etapa inicial a parceria com a Fiocruz beneficia 20 alunos autistas de 12 escolas da rede e Shirley também destaca a inclusão dos pais nas oficinas encerradas hoje. “A família é o núcleo base para se conseguir avançar no processo de comunicação e interação dos autistas com o mundo em sua volta”, defendeu.

 

O professor Carlos Lucena disse que o engajamento dos pais motiva ainda mais o processo de aprendizagem dos alunos autistas. “A partir do momento que a família começa a descobrir a importância de sua participação no processo educacional do filho autista, o aprendizado torna-se mais fácil, prazeroso e eficiente, com resultados diretos tanto em casa quanto na escola”, argumentou Lucena.

 

Na oficina, Carlos Lucena  utiliza como materiais didáticos cartões com fotos, desenhos e letras, tablets e teclados de computador, além de vários tipos de apoio físico, comunicativo e emocional. “Nos casos de autismo moderado ou severo, a pessoa praticamente não consegue se expressar por meio da fala, e essa comunicação alternativa incentiva o uso das mãos e, principalmente, dos dedos para apontar figuras, desenhos e letras em cartões, além de incentivar a produção de textos”, ressaltou. Sobre as estratégias de apoio, ele explica que, no caso do apoio físico, o estímulo se dá através do toque do professor ou outro profissional nos braços e nas mãos do aluno, enquanto no apoio comunicativo, a ideia é dizer o nome do símbolo para o qual apontaram. 

Ouvindo atentamente as explicações do professor da Fiocruz, Josilene Maria de Oliveira, mãe do estudante Pedro, de dez anos, disse que uma nova janela está sendo aberta em sua vida. “Essa oficina foi uma maravilha. Foi aqui que aprendi que meu filho é capaz de entender as coisas e, o que é mais importante, se comunicar comigo de uma forma toda especial. Gostaria que todos os pais de altistas tivessem essa mesma oportunidade”, desejou Josilene.

 

SAIBA MAIS - Os 20 estudantes participantes do projeto de comunicação facilitada, assim como os outros 386 alunos com autismo matriculados nas diversas unidades de ensino municipais (totalizando 406 estudantes autistas), têm aula nas salas regulares, junto com os demais alunos. No contraturno, desenvolvem trabalhos direcionados com 265 professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que são especialistas em Educação Especial, nas salas de recursos multifuncionais, que são espaços com equipamentos pedagógicos específicos para o desenvolvimento desses estudantes.